Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Media

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Evidências e IMD reúnem gestores, decisores, jornalistas e outros actores para travar “crise” que ameaça o jornalismo e a democracia

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Evidências e IMD reúnem gestores, decisores, jornalistas e outros actores para travar “crise” que ameaça o jornalismo e a democracia

Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Media

A cidade de Maputo acolhe, nos dias 14 e 15 de Maio, a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, uma iniciativa promovida pelo jornal Evidências e com apoio do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), em parceria com o MISA Moçambique e o Instituto Superior de Comunicação Social (ISCS), que pretende lançar um debate profundo sobre os desafios económicos, éticos e tecnológicos que ameaçam o futuro do jornalismo moçambicano. Sob o lema “Discutir a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social é também reflectir sobre a democracia”, o encontro insere-se no quadro das celebrações dos cinco (5) anos do Evidências e reunirá gestores, jornalistas, académicos, reguladores, representantes do Governo, sector privado, organizações da sociedade civil e estudantes, numa altura em que o sector da comunicação social enfrenta uma das fases mais críticas da sua história. 

A Conferência Nacional de Sustentabilidade dos Media surge num contexto marcado pela redução das receitas publicitárias tradicionais, crescimento da desinformação digital, proliferação de plataformas sem enquadramento legal e aumento das pressões económicas sobre as redacções.

“Esta iniciativa, de elevada relevância para o sector da comunicação social, coincide com o nosso quinto ano de actividade, simbolizando não apenas a consolidação da nossa presença no mercado, mas também o reforço do compromisso com uma missão que ultrapassa o exercício jornalístico convencional. Aquilo que defendemos nas nossas páginas afirma-se, cada vez mais, como um posicionamento activo na construção de um sector mais sustentável, ético e alinhado com os desafios do nosso tempo”, defende Nelson Mucandze, director editorial do jornal Evidências.

Durante os dois dias de debates, especialistas nacionais e convidados estrangeiros irão discutir temas como modelos alternativos de financiamento dos media, crise de publicidade e eventais saídas, regulação do espaço digital, impacto da Inteligência Artificial no jornalismo e os riscos da desinformação para a estabilidade social e política do país.

Entre os momentos centrais da conferência destaca-se a apresentação de um estudo sobre a sustentabilidade económica dos media moçambicanos, conduzido pelo pesquisador Ernesto Nhanale, que deverá traçar um retrato actualizado das dificuldades enfrentadas pelos órgãos de comunicação social e da sua relação com a degradação dos valores democráticos.

O programa inclui ainda cinco painéis temáticos. O primeiro será dedicado aos desafios de financiamento e à sobrevivência dos media num ambiente cada vez mais competitivo e dominado por novas dinâmicas digitais.

“A fragilidade financeira dos media compromete não apenas a sustentabilidade das empresas jornalísticas, mas também a independência editorial e a própria qualidade da democracia”, remata Reginaldo Tchambule, editor do jornal Evidências, sublinhando a necessidade de um debate sério em torno do assunto.

Outro painel irá abordar o papel da Inteligência Artificial no jornalismo, analisando, simultaneamente, as oportunidades tecnológicas e os riscos éticos associados à automação da informação.

No segundo dia, os debates estarão concentrados na relação entre jornalismo e democracia, procurando responder à questão central da conferência: “A quem interessa fragilizar o jornalismo?”. Os participantes deverão, igualmente, formular propostas concretas para reforçar a sustentabilidade, credibilidade e independência dos órgãos de comunicação social no país.

A organização espera que o encontro resulte na adopção de um documento final com recomendações práticas para o fortalecimento do ecossistema mediático nacional, incluindo propostas de políticas públicas, mecanismos de cooperação entre media e anunciantes, bem como iniciativas para combater o jornalismo clandestino e a desinformação.

Segundo os promotores, a conferência pretende afirmar-se como um marco nacional na reflexão sobre o futuro da comunicação social em Moçambique, num momento em que os desafios económicos e tecnológicos colocam novas pressões sobre o exercício do jornalismo e sobre a defesa da liberdade de imprensa.

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